segunda-feira, 5 de abril de 2010

Notas(1) (37) (38)

“Um homem caminha pelo mundo(2) perdido entre tantas sombras e somente se encontra naquilo que lhe é familiar. Sua casa, sua esposa, seus filhos(5). Nela ele tira seus sapatos, sentindo seus pés cansados(24) de tanto andar, como se nunca tivesse parado, como se estivesse perdido desde sempre(8) (9). Ela lhe faz algo de comer, num fogão a lenha numa panela de barro e toda a casa vai-se tomando de um cheiro muito bom conforme meche a panela com uma colher de pau. Um aroma suave que se mistura com o cheiro da chuva na terra que vem do lado de fora. Eles, ainda jovens, brincam pela casa e correm ao redor do pai, dando gritos velados(33) no esconde-esconde, para não perturbar.

E todos comem ouvindo os pássaros(27) (28) (29) que voam em grandes bandos pelo céu do entardecer e depois se arrumam na varanda para ver de vez o pôr do sol. O homem, cansado, se retira mais cedo, beija sua esposa (30) com afeto e cada um dos seus filhos. Veste os chinelos. Depois se dirige ao quarto, deita-se e morre”(17) (25).

1- Relato comentado pelos críticos Madureira e Sarapalha, ambos formados pela Universidade de São Tomé do Pega mais não segura lá da onde nasce o macaco. O primeiro professor das artes que não servem para coisa alguma(10), especialista naquilo chamam-se por aí de poesia. Já o segundo é mestre doutor e senhor(19) de toda matéria do departamento de ciências semi-obscuras(11).

2- Facilmente, por razões obvias, podemos prever que o uso da palavra homem implica não um homem especifico, mas serve de alegoria para todos os homens (3).

3- Bom, queira me desculpar Sarapalha, mas é um homem qualquer, ele tem até mesmo esposa, o autor quis é passar toda a simplicidade de viver e morrer(4).

4- Claro, mas não com o intuito de abordar um único homem e, sim, toda a humanidade.

5- Meu colega deve estar louco, pois a simplicidade é a coisa mais importante do conto, veja este trecho: ele tem filhos, uma casa, uma esposa(6)!

6- Isso serve, meu caro, para aprofundar o contexto(7).

7- Que porra é esta? Contexto? A humanidade não é algo simples, por isso ele não poderia enfiar uma alegoria nela!

8- ele está tratando de toda a experiência humana de viver, PERDIDO(15)! E, ademais, não se enfia uma alegoria no mundo, enfia-se o mundo numa alegoria.

9- eu não estou perdido, nem me sinto perdido, na verdade eu estou muito bem, e eu não me julgo prepotente para falar de “toda a humanidade”.

10- não é sem razão que assim chamam sua área de inútil.

11- Claro! Afinal Ciências Semi-Obscuras devem ter uma grande utilidade, quem sabe para deixar tudo “semi-explicado”?

12- Não ofenda minha ciência, dirija suas críticas à mim(13)!

13- isso nem sequer foi uma nota(14)!

14- Muito bem, pois então eu faço nota a mim mesmo! Tome(12)!

15- agora vê-se que está realmente perdido! Sarapalha, o homem vive e morre e o autor diz que deve fazer em simplicidade (16)!

16- êpa, agora você admiti minha idéia de alegoria, por acaso pretende me roubar a idéia?!

17- TA NO TEXTO!!! Pra que eu ia roubar sua idéia, eu nem falei nada de alegoria, eu só disse que ele representa a simplicidade (18).

18- isto é uma alegoria seu ignorante! Meu Deus, como você conseguiu chegar a professor?

19- e você? “Senhor” e blábláblá, que lhe deu este título(20)?

20- a academia, quem mais?(21)

21- isto sim me parece um pouco alegórico (22).

22- Não seu imbecil, isto foi metafórico!!!!!(23)

23- ora ora ora, o metido a inglês esta perdendo a linha...

24- eu é que me sinto cansado com você Madureira!

25- pois vai lá deita e morre!(26)

26- vou lhe dizer para onde você deve ir!

27- ouve só Sarapalha, os pássaros!

28- que tem eles?

29- estão te mandando à MERDA!

30- Não é a toa que sua esposa me procura! Sabe por que? Por que você não passa de um traste metido a intelectualóide de miolo mole! (31)

31- minha mulher só iria atrás de você se fosse para pedir dicas de maquiagem! (32)

32- está insinuando alguma coisa?

33- só que às vezes é você que dá gritinhos velados de prazer com um certo senhor, ui ui ui Alfredoô, UUUI!(34)

34- quem espalhou esta calúnia ao meu respeito?!

35- É o que dizem. Esqueci a nota, (35) (36).

36- Não acredito nisso...

- Não acredita em que Sarapalha?

- Nossa Madureira, pense no que dirão aos meus filhos!

- er.....bem eu não tinha pensado nisto...

- Foi você!!!? Que espalhou esta barbaridade?

- De modo algum! Você sabe que eu não ia fazer isso com você.

- Não mesmo?

- Lógico que não...sabe eu acho que foi o Murilo, sabe o professor de zoologia?

- e por que ele faria isso?

- Ele não gostou que o seu departamento ganhou verbas a mais em vez do dele...acho que por isso.

- Mas o projeto dele era um lixo, a banca fez muito certo em negar! E eu não fiz nada de mais!

- Eu sei, mas vai saber o que ele pensou... agente pode ir lá falar com ele de pois disso.

- Disso?

- Da crítica do conto.

- Ah, deixa isso quieto, vamos atrás do Murilo, tenho roupas para lavar com ele!

- Certo, mas a gente precisa por um fim nisto.

37- este conto é coisa mais inútil que já me caiu em mãos.

38- idem.